
Projeto
O Palácio dos Sonhos
A meados do século XVIII, D. Pedro de Bragança, primeiro duque de Lafões, imaginava à beira do Tejo um palácio que seria menos uma morada de aparato do que um mundo interior. No seu «caderno mágico», redigido entre 1745 e 1761, descrevia uma sucessão de salas, cada uma consagrada a uma ideia, uma sensação ou uma interrogação, no encontro da arquitetura, das artes, das ciências e do imaginário. A sua morte prematura, em 1761, interrompeu a construção e deixou inacabado este projeto utópico a que chamava o seu «Palácio dos Sonhos».
Recuperado quase três séculos depois, este caderno constitui o principal testemunho das suas intenções. Arquitetos, artistas e investigadores reuniram-se para explorar as suas páginas e tentar reconstituir o seu sentido. O livro nascido deste trabalho lançou a primeira pedra do renascimento do projeto original, dando uma nova forma aos temas, narrativas e esboços imaginados pelo duque.
Entre 2023 e 2025, o Palácio do Grilo conheceu uma primeira reabertura temporária, acolhendo um restaurante, eventos, concertos, performances artísticas e visitas. Os trabalhos que começarão em novembro de 2026 permitirão restaurar os edifícios e os jardins, adaptando-os a novos usos. O Palácio acolherá então um hotel de cerca de trinta quartos, um restaurante-bar, um museu e espaços dedicados a eventos e à programação cultural.
O hotel não virá simplesmente ocupar o palácio: procurará prosseguir a sua história e dar corpo ao projeto que permaneceu inacabado. Cada salão, cada espaço e cada quarto proporá uma interpretação contemporânea de uma das ideias inscritas no caderno. As obras, as matérias, o mobiliário, a luz e os usos comporão assim um percurso através do universo imaginado por D. Pedro. Quase três séculos após a sua conceção, o Palácio do Grilo tentará finalmente concluir o seu «Palácio dos Sonhos».
